Roer as unhas, morder objetos, balançar os pés, organizar brinquedos sempre da mesma forma ou seguir um pequeno ritual antes de dormir são comportamentos que podem aparecer durante a infância. Em muitos casos, a mania é passageira e não representa um problema, mas a frequência, a intensidade e os efeitos desse hábito na rotina da criança precisam ser observados pelos adultos.
Esses comportamentos repetitivos podem surgir sem que a própria criança perceba. Algumas manias aparecem com maior frequência em momentos de ansiedade, tédio, insegurança ou diante de situações novas. Outras simplesmente passam a fazer parte da rotina por determinado período. Antes de tentar interromper o comportamento, portanto, é importante entender em quais circunstâncias ele ocorre e se está causando algum prejuízo.
Por que algumas manias aparecem na infância? A mania pode funcionar como uma forma de conforto ou segurança diante de emoções que a criança ainda tem dificuldade para identificar ou explicar. Isso ajuda a entender por que determinados comportamentos aparecem em situações específicas, como antes de dormir, na escola, durante períodos de mudança ou em momentos de maior tensão. "Quando os adultos observam em que situações o comportamento aparece, conseguem compreender melhor o que pode estar relacionado àquela repetição. A primeira atitude não deve ser simplesmente exigir que a criança pare", observam os educadores do Colégio Anglo São Roque, de São Roque (SP). As manias são especialmente comuns na primeira infância, período em que as crianças ainda estão desenvolvendo habilidades emocionais, motoras e sociais. Muitos desses hábitos diminuem ou desaparecem naturalmente à medida que elas crescem e encontram outras formas de lidar com situações desconfortáveis.
Também é importante evitar transformar um hábito leve em motivo permanente de preocupação. Chamar a atenção da criança repetidamente pode fazer com que ela fique ainda mais consciente do comportamento e, em alguns casos, aumente a ansiedade relacionada a ele. Mania e tique são a mesma coisa?
Nem todo comportamento repetitivo deve ser classificado da mesma maneira. Uma mania costuma estar relacionada a um hábito ou ritual criado pela própria criança, ainda que seja realizado de maneira quase automática. Separar os alimentos no prato, mexer repetidamente em determinado objeto ou seguir uma sequência específica antes de dormir são alguns exemplos. Os tiques apresentam características diferentes. Eles geralmente envolvem movimentos ou sons repetitivos e involuntários, como piscar os olhos com frequência ou movimentar determinada parte do corpo sem intenção consciente. Essa diferença é relevante porque a forma de avaliação e de acompanhamento pode mudar de acordo com o comportamento apresentado.
Quando os pais têm dificuldade para identificar o que está ocorrendo, principalmente se a repetição for frequente ou intensa, a orientação de um profissional especializado pode ajudar. Como ajudar a criança a abandonar uma mania? Tentar eliminar imediatamente a mania nem sempre é a estratégia mais adequada. Repreender, constranger ou punir a criança pode aumentar o desconforto e não resolve necessariamente a situação que está estimulando o comportamento. Uma alternativa é observar quando a mania ocorre e redirecionar a atenção para outra atividade sem transformar o hábito no centro das atenções.
Brincadeiras, conversas, atividades manuais ou outras ocupações podem ajudar em determinados momentos. A possibilidade de conversar sobre sentimentos também deve ser considerada, sempre de forma adequada à idade. Se a mania surge principalmente em situações de ansiedade ou insegurança, identificar o que está incomodando a criança pode facilitar a busca de outras maneiras de lidar com aquela situação. Objetos de conforto também podem ser úteis para crianças menores em determinados períodos. Um brinquedo ou outro item familiar, por exemplo, pode proporcionar segurança diante de mudanças de ambiente ou de rotina. "É importante que a criança perceba que pode falar sobre aquilo que a preocupa sem receio de ser repreendida. A cobrança excessiva em torno da mania pode acabar aumentando a tensão", explicam os educadores do Colégio Anglo São Roque. Quando o comportamento merece mais atenção? A maioria das manias infantis é leve e temporária.
O principal sinal de atenção aparece quando o comportamento começa a interferir na vida cotidiana da criança. Rituais que ocupam muito tempo, provocam sofrimento, dificultam atividades escolares, prejudicam a convivência ou impedem a criança de realizar tarefas normalmente merecem uma avaliação mais cuidadosa.
Também é importante observar comportamentos que possam provocar ferimentos, como arrancar cabelos, morder a pele de forma repetitiva ou machucar os dedos. Em situações mais intensas, comportamentos repetitivos podem estar relacionados a quadros que exigem avaliação especializada, entre eles transtornos de ansiedade ou o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).
A presença de uma mania isolada, porém, não significa que a criança apresente algum desses transtornos. Quando houver prejuízo para a rotina, sofrimento ou intensificação do comportamento, pais e responsáveis podem procurar profissionais que atuam com desenvolvimento infantil, como pediatras e psicólogos. A avaliação ajuda a compreender a origem do comportamento e a definir a forma mais adequada de acompanhamento. Observar a frequência, os momentos em que a mania aparece e possíveis mudanças recentes na rotina também fornece informações importantes.
Esses dados ajudam família e profissionais a diferenciar um hábito passageiro de um comportamento que precisa de atenção específica.
Para saber mais sobre o assunto, visite: https://lunetas.com.br/manias-das-criancas/ https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/06/08/manias-rituais-e-tiques-na-infancia-quando-e-preciso-se-preocupar.htm