A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica que compromete a capacidade de leitura, escrita e interpretação de textos. Crianças com essa condição enfrentam obstáculos para reconhecer letras, formar palavras e compreender símbolos gráficos, o que pode afetar seu desempenho na escola e em atividades cotidianas. Importante destacar que a dislexia não tem relação com inteligência, e muitas pessoas disléxicas alcançam grande sucesso profissional ao desenvolverem estratégias próprias de aprendizado.

O ambiente doméstico oferece oportunidades valiosas para que os pais observem comportamentos e dificuldades que podem indicar a presença do transtorno. Antes mesmo da alfabetização, algumas crianças demonstram sinais que merecem atenção. Dificuldades para aprender canções infantis, memorizar rimas ou organizar sequências lógicas em brincadeiras podem ser os primeiros indícios. Atrasos no desenvolvimento da fala também aparecem com frequência em crianças disléxicas.

Observando as dificuldades na fase escolar

Quando a criança inicia o processo de alfabetização, os sinais se tornam mais evidentes. A troca constante de letras com sons semelhantes, como p/b, d/t ou f/v, representa um dos indicativos mais comuns da dislexia. A lentidão para aprender a ler e escrever, mesmo com dedicação e prática regular, também chama a atenção de pais atentos. Durante a lição de casa, é possível perceber que a criança enfrenta dificuldades específicas. Copiar textos de livros ou cadernos se torna uma tarefa exaustiva e cheia de erros. A leitura tende a ser travada, sem fluência, exigindo grande esforço mental para decifrar palavras simples. Muitas vezes, a criança consegue ler um texto, mas não compreende ou não se lembra do que acabou de ler. "Pais que acompanham a rotina de estudos em casa têm condições de identificar padrões de dificuldade que se repetem, mesmo quando a criança se esforça bastante", observam educadores do Colégio Anglo São Roque. A organização de tarefas escolares também costuma ser problemática. Crianças com dislexia frequentemente apresentam cadernos desorganizados, perdem materiais com facilidade e têm dificuldade para estruturar o pensamento de forma escrita. Os erros ortográficos e gramaticais persistem mesmo após correções repetidas. Impactos emocionais que os pais devem reconhecer A dislexia não afeta apenas o desempenho acadêmico. O esforço constante para acompanhar atividades que parecem simples para outras crianças pode gerar frustração intensa. Sentimentos de incapacidade e baixa autoestima surgem quando a criança percebe que não consegue aprender no mesmo ritmo dos colegas.

lguns sinais emocionais merecem atenção especial. A criança pode demonstrar resistência para fazer lições de casa, inventar desculpas para não ler ou apresentar comportamentos de esquiva sempre que precisa escrever. Crises de choro ou irritação durante os estudos também podem indicar que ela está enfrentando dificuldades além do esperado. A desmotivação escolar aparece gradualmente. O que começou como entusiasmo pelo aprendizado pode se transformar em ansiedade e recusa. Pais que percebem essas mudanças comportamentais devem considerar a possibilidade de buscar orientação profissional.

Diferenciando a dislexia de outros transtornos

Nem toda dificuldade de aprendizagem indica dislexia. O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), por exemplo, apresenta características diferentes. Crianças com TDAH têm problemas principalmente com concentração, impulsividade e hiperatividade, mas não necessariamente com o reconhecimento de letras e palavras. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) também pode ser confundido com dislexia por leigos, mas envolve principalmente déficits na comunicação social e padrões restritos de comportamento. A dislexia está especificamente relacionada ao processamento da linguagem escrita. Por isso, a avaliação profissional se torna indispensável. Apenas observações caseiras não são suficientes para um diagnóstico preciso. A persistência dos sintomas, mesmo com apoio e prática regular, justifica a busca por especialistas.

O processo de diagnóstico profissional

O diagnóstico da dislexia exige uma equipe multidisciplinar. Pedagogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, psicólogos e neurologistas podem participar dessa avaliação. Não existe um exame clínico único que identifique o transtorno. O diagnóstico se baseia em testes específicos, observação do comportamento e análise do histórico de aprendizagem da criança. "A participação ativa dos pais nesse processo é fundamental, pois eles podem fornecer informações detalhadas sobre o desenvolvimento e as dificuldades observadas em casa", reforçam educadores do Colégio Anglo São Roque. A intensidade da dislexia varia bastante. Algumas crianças apresentam dificuldades leves e conseguem desenvolver mecanismos compensatórios com orientação adequada. Outras necessitam de suporte educacional contínuo durante toda a trajetória escolar. Como os pais podem ajudar no desenvolvimento Após a identificação da dislexia, o papel dos pais se torna ainda mais relevante. O suporte emocional representa um dos pilares do tratamento.

Reconhecer os esforços da criança, valorizar suas conquistas e evitar comparações com irmãos ou colegas ajuda a fortalecer sua autoconfiança. Em casa, atividades lúdicas podem estimular o aprendizado de forma prazerosa. Jogos de rimas, caça-palavras adaptados e jogos da memória com letras contribuem para o desenvolvimento das habilidades de leitura. A leitura compartilhada também se mostra eficaz. Pais que leem junto com os filhos, incentivando-os a acompanhar o texto e fazer perguntas, ajudam na interpretação e compreensão. O tratamento da dislexia não envolve medicação. O trabalho conjunto entre família, escola e profissionais especializados produz os melhores resultados. Sessões com fonoaudiólogos melhoram a percepção fonológica. A intervenção psicopedagógica adapta métodos de ensino às necessidades específicas da criança.

Quando necessário, a psicoterapia auxilia no fortalecimento emocional. Quanto mais cedo for iniciado o acompanhamento, melhores serão os resultados. Crianças que recebem suporte adequado desde os primeiros anos escolares têm maior probabilidade de desenvolver estratégias eficazes de aprendizagem e superar os desafios impostos pela dislexia.

Para saber mais sobre dislexia, visite https://www.ninhosdobrasil.com.br/dislexia-infantil e https://www.neurologica.com.br/blog/quais-sao-os-sintomas-e-opcoes-de-tratamento-para-dislexia-em-criancas/